Carisma Transfiguracao


O amor é estabilidade, firmeza, infinito até a morte. Somos afirmamos que o amor precisa ser exercitado, e há em nossa humanidade uma necessidade de amar e de ser amado. Quando amamos alguém e dela não recebemos amor, este amor arrefece, esfria. Se não há compromisso de amor, este pode até terminar, às vezes deixando graves marcas e feridas, podendo levar ao extremo como depressão e até o suicídio.

Se há um compromisso de amor, fica um pouco mais complicado. No sacramento matrimonial, por exemplo, há um compromisso de amor assumido diante do altar do Senhor, diante da Igreja; é um ato indissolúvel ( Mc 10,9 ). É jura de amor até a morte. Se neste caso o amor arrefecer por não haver a reciprocidade, ou a pratica do amor, cabe entender que o casamento é sacramento e foi feito a três, o marido, a esposa e Jesus. Por amor a Jesus eu preciso honrar este sacramento. E cabe a pessoa que tiver mais temor a Jesus a função de restaurar este amor que se, desde o inicio foi verdadeiro, nunca deixará de existir.

No sacramento, o amor do casal é perpetuado. Como uma unção de amor infinita, que pode até arrefecer mais jamais deixará de existir. Jesus sacramentou o seu amor conosco e com a Igreja. Ele é o grande exemplo de como se deve exercitar o amor. Nós muitas vezes fugimos do seu amor, arrefecemos este relacionamento, traímos, vamos embora, desistimos, negamos e nos envergonhamos Dele. Porém, Ele continua nos amando com a mesma intensidade e eternamente, com as mais belas atitudes de fidelidade, compaixão, misericórdia. Mas se insistimos em fugir, Ele silencia e espera. No momento em que pensamos em voltar, indiferente do estrago que tenhamos causado em nosso relacionamento de amor, Ele está ali pronto para amar, perdoando como se nada tivesse acontecido. É impressionante!

Este amor que eu preciso refletir deve ser amor sólido, constante, eterno. É preciso antes amar Jesus como Ele ensina: “ouve meu amor, o Senhor teu Deus é o único, amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tua forças” ( Mc 12, 30s ). E também “amar o próximo como a si mesmo”.

Quem ama Jesus, não vive isolado do mundo, como o marido que trabalha, vai pra casa, depois ao bar, casa, trabalho, e vive o seu casamento assim. Ou como o casal isolado no seu amor: trabalho, casa, mas não dialoga, não manifesta amor; até a sua sexualidade é fria, visando satisfazer seu próprio prazer, e vive muito tempo assim, acostumado com a situação, capaz de viver cinquenta anos ou até a morte, com amor arrefecido, infelizes. Não vive também como certos católicos que vão a Missa, a grupo de oração, grupo bíblico, movimentos, mas não assumem nada, nenhuma responsabilidade com o reino, com a pregação do Evangelho, com o amor em atitudes.

Refletir Jesus é amá-lo, é assumir o amor de Jesus por quem Ele tem.

É amar a todos os que Jesus ama.

Jesus ama a todos.

Jesus assumiu o projeto de Salvação se encarnando no ventre de Maria por amor a nós, mas com o compromisso de amor firmado com o Pai. Para Jesus, nos amar é ser fiel ao Pai, ao criador. O nosso amor para com as pessoas é compromisso de amor assumido com Jesus. Aqui o meu amor começa a ser verdadeiro, pois aquele que diz que ama a Deus que não vê, mas não ama o seu irmão a quem vê é um mentiroso (I Jo 4,20).

Quando amamos uma pessoa, vamos nos afeiçoando ao que ela gosta, e as vezes sedemos a situações, ou toleramos algumas coisas por este amor, para não magoar, entristecer… No relacionamento de amor com Jesus também é assim, toleramos, aceitamos perseguições, zombarias, difamações. Somos taxados como loucos, desequilibrados, etc. Mas nós, por amor a Jesus, que ama estas pessoas, nos determinamos a amar, para não entristecer nosso grande amor: “JESUS CRISTO”.

Apaixonado de Jesus…

Na força de uma grande paixão, muitas loucuras são realizadas. Nós somos a grande paixão de Jesus. Por isso Sua loucura de amor apaixonado resultou na morte de cruz. Claro, a paixão por si só é desequilibrada, se ela não se transformar em amor pode ser uma catástrofe. Ela se transforma em amor quando consegue suportar e superar as contrariedades no relacionamento, as dificuldades, etc. Se não se transformar em amor se acaba.

Para muitos, o que Jesus realizou atos desordenados de loucura: curar em dia de sábado, andar entre leprosos e comer com eles, dar pão aos famintos, tocar no morto, subir ao monte de madrugada para orar, e por fim não se defender diante as acusações que o levaram à morte de cruz. Porem não eram apenas loucuras de paixão, mas de quem ama com amor apaixonado.

O amor verdadeiro não tem fim e a paixão somada a este amor não o deixa arrefecer e o inspira a viver sempre exercitando de várias formas este amor. É maravilhoso!

Este amor apaixonado de Jesus o faz fiel ao Pai e nos mostra varias formas de expressar este amor: “eu e o Pai somos um”, “ninguém vai ao Pai senão por mim”; “se permanecerdes em mim eu e o Pai viremos e faremos em vós nossa morada”; “tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vos concederá”.

Jesus deixava as pessoas verem sua convicção de amor. Refletir Jesus é deixar as pessoas verem que eu tenho esta convicção do amor que eu vivo e que me leva a fazer o que faço que me dê segurança da recompensa eterna, superior a toda e qualquer oferta que o mundo possa me fazer.

As pessoas precisam ver em nós que vale a pena estar neste caminho de salvação, no que faço pelo Senhor, no que sou no Senhor e na forma como me relaciono com elas. Para viver este amor apaixonado de Jesus e por Jesus é preciso disponibilidade e muita disposição, por que a messe é grande e poucos são os operários.

O amor é a única solução para este mundo e o amor apaixonado é a única forma desta solução se realizar.

Precisamos REFLETIR O AMOR APAIXONADO DE JESUS pelo mundo em que vivemos ao nosso redor, na nossa realidade, diariamente, sem exceção, sem desculpas para não fazê-lo.

Jamir José
Fundador da Comunidade Transfiguração